1 de fevereiro de 2014

Os Leões de Bagdá

O escritor Brian K. Vaughan, durante um painel de divulgação da graphic novel em uma convenção nos EUA, tentou definir OS LEÕES DE BAGDÁ em apenas uma única frase: “É a Guerra do Iraque sob o ponto de vista dos animais”. Os bichos falantes que protagonizam este especial, no entanto, servem somente para dar forma às muitas perguntas que o próprio Vaughan tinha sobre a ocupação norte-americana no Iraque. Tentando evitar respostas prontas que pudessem ser enfiadas goela abaixo do leitor, ele encontrou a narrativa ideal em 2003, ao ler a notícia a respeito de quatro leões que fugiram do zoológico de Bagdá após um dos primeiros bombardeios dos aviões ianques. Aqueles enormes felinos, perdidos e confusos, famintos mas finalmente livres, seriam seus protagonistas.

OS LEÕES DE BAGDÁ é uma parábola, uma bela fábula na melhor tradição de Esopo – mas que, apesar do visual do jovem filhote Ali, não pode em nada ser confundida com O Rei Leão ou demais produções da Disney. Nesta obra, a inspiração mais clara do roteirista é mesmo o clássico A Revolução dos Bichos, de George Orwell. Quando um pássaro anuncia que o céu está caindo, Ali e seus companheiros Zill, Safa e Noor descobrem os caças F-18 singrando os céus da cidade. Os tratadores do zoológico parecem estar misteriosamente abandonando o local, e deixam na cova dos leões uma última e farta refeição. Logo depois, uma bomba explode violentamente, abrindo passagem para o mundo exterior.

Para onde eles devem ir? Do que vão se alimentar a partir de agora? Que preço terão que pagar pela oportunidade de rugir livremente sem estar por trás das grades? Questionando a verdadeira natureza da liberdade, eles cruzam o caminho de diversos outros animais e trocam experiências sobre a guerra – como no caso de uma tartaruga que sobreviveu às primeiras batalhas no Golfo e que revela um estranho óleo vindo das profundezas da Terra, se espalhando pelo ar e pelo mar enquanto os humanos combatem entre si. Em breve, este bando de reis da selva descobrirá que a cidade deserta é, na verdade, uma realidade muito mais turbulenta e caótica do que as savanas das quais eles se recordam em seus gloriosos tempos de caçada.