5 de junho de 2010

Coletânea de Histórias Clássicas de Tarzan

Três desenhistas fizeram a glória imortal do Homem-Macaco: Hal Foster, Burne Hogarth e Joe Kubert. Este último, que trabalhou primordialmente nos anos 1970, não apenas tornou a selva convulsiva e misteriosa; ele a tornou viva e pulsante, uma nova protagonista.
Pois não é que todas aquelas histórias do Tarzan desenhadas por Joe Kubert chegam às bancas em uma fulgurante edição colorida? Tarzan - A Origem do Homem-Macaco e Outras Histórias (Devir Livraria, R$ 49), de Joe Kubert, baseado nas histórias originais de Edgar Rice Burroughs. A colorização é a original de Tatjana Wood, restaurada especialmente para essa edição.
Joe Kubert é tão importante para os quadrinhos americanos quanto Will Eisner. Como este, também trabalhou como educador, criando uma espécie de usina das HQs em Nova York, a Joe Kubert School of Cartoon and Graphic Art. Desenhou personagens-chave das HQs, como Sgt. Rock, Batman, Ás Inimigo, Flash, Tex e Gavião Negro. É um dos mais influentes artistas da arte que Eisner chamava de sequencial.
"Minha intenção ao fazer Tarzan era injetar a emoção e a proximidade que senti quando li suas histórias pela primeira vez. Eu me esforcei ao máximo para recapturar a realidade que fora tão intensa para mim", afirmou Joe Kubert em 2005, no prefácio da edição Tarzan - The Joe Kubert Years. Ele para a DC Comics nos anos 1970, quando foi incumbido por Carmine Infantino de desenhar o personagem. Criou Tarzan entre abril de 1972 e fevereiro de 1977 (quando as histórias passaram às mãos da Marvel Comics, que rebatizou a série de Tarzan, Lord of the Jungle e trouxe John Buscema para desenhar).
Polonês de nascença, também filho de poloneses (seus pais imigraram para os Estados Unidos quando ele tinha 2 meses de idade, em 1926), Kubert começou a trabalhar com quadrinhos aos 11 anos como aprendiz. Foi parceiro de Jack Kirby e Will Eisner e já tem mais de 70 anos criando e sofisticando personagens.
"As pessoas tinham vergonha de dizer que faziam quadrinhos. Muitos dos que foram trabalhar na indústria eram ilustradores de revista que simplesmente não tinham mais onde publicar e não queriam admitir que faziam "revistinhas"", disse Kubert em 1995 a Gabriel Bastos Junior, do Estado, falando sobre os anos pioneiros dos quadrinhos. "Este meio sempre foi considerado uma arte menor. Nunca foi aceito como uma forma de expressão adulta. Eu sempre me orgulhei do meu trabalho, sempre quis trabalhar com isso e estou muito satisfeito."
"A sensação que tenho é que os quadrinhos não devem absolutamente nada a nenhuma outra arte existente", disse Kubert.
A história de Tarzan, hiperconhecida, parece vibrar nos desenhos de Kubert, prendendo a atenção. "Aos 10 anos, ele tem a força de um homem de 30 anos", diz o narrador, sobre o menino criado pelos macacos na selva. Não é à toa: o próprio Kubert revela o fascínio que tinha pelo personagem.
"Quando Tarzan lutou com o gorila que havia matado seu pai, eu podia literalmente sentir os poderosos golpes na pelo do homem e a dolorosa dilaceração das presas e garras da fera. Quando o enorme leão desafiou o Senhor das Selvas, eu podia sentir a força das pernas do homem-macaco envolvendo o corpo do grande felino, enquanto ele cravava sua faca várias vezes no coração da fera enraivecida."
Ao ser convidado para desenhar o personagem, ele vibrou. "Ali surgia uma oportunidade para mim de voltar a me conectar com as alegrias da minha infância", disse. Kubert compreende os quadrinhos como um dos meios mais eficientes de contar histórias, e o autor deve sempre levar uma boa história um passo adiante. "Minha teoria é: seja tão simples quanto possível, deixe o leitor terminar tudo. O artista sempre deve deixar algo para o receptor até porque ele jamais vai atingir a perfeição."
Cruel. Tarzan significa "pele branca", e ele descobre as diferenças pouco a pouco, igual ao leitor de suas histórias. Quando se reencontra com sua "tribo", a dos homens pretensamente civilizados, fica desencantado. "Essas criaturas não são diferentes dos gomanganis, nem mais sábias do que os macacos e nem menos cruéis que a pantera", pensa. "O homem é mais tolo e cruel do que qualquer fera da selva."
É de fato um mundo selvagem, no qual Tarzan elimina inimigos com uma sem-cerimônia espantosa: tigres, leões, nativos, piratas. Esse embate entre seu espírito selvagem e as raízes civilizatórias é que faz a grande delícia do romance de Burroughs, e o torna tão sedutor. "Ele escolhe seu caminho por essas árvores escuras, como eu andaria por uma rua de Londres ao meio-dia!", descobre o primo de Tarzan, William Clayton, quando o encontra na selva. Morto em 1950, Edgar Rice Burroughs serviu na Academia Militar do Michigan,

TARZAN O HOMEM-MACACO
O personagem Tarzan, nobre inglês criado na selva por macacos, foi idealizado pelo norte-americano Edgar Rice Burroughs no romance Tarzan of the Apes, publicado na edição de outubro de 1912 da pulp fiction All-Story Magazine. Mas só virou quadrinhos em 1928, pelas mãos de Allen St. John. Em 1931, o gênio Hal Foster começou a desenhar o herói, chamando a atenção do magnata dos jornais William Randolph Hearts, que o contratou.