8 de abril de 2009

Mulher Maravilha - Animação

Em meio à maciça divulgação de "Watchmen - O Filme" e "X-Men Origins: Wolverine" na mídia norte-americana, a Warner Bros. e a DC Comics lançaram a animação em DVD da Mulher-Maravilha com certa discrição. Em parte, por culpa da mesma crise econômica que, recentemente, fechou as portas do Circuity City, uma das cadeias de lojas em que o filme poderia ser vendido. Mas em parte, também, pelo receio que as duas empresas demonstram na hora de apostar, com mais ousadia, em projetos envolvendo a personagem.

"Wonder Woman", o DVD (http://www.warnervideo.com/wonderwomanmovie), conta um roteiro bem amarrado, uma história envolvente e oferece tramas paralelas ricas em conteúdo. É fiel à personagem, é sensual sem ser apelativo, mostrando um raro equilíbrio entre "ser sexy" e "ser super". É um projeto que deixa no chinelo (ou seria nas botas vermelhas?) muitas produções por aí. Tanto animadas, quanto feitas para o cinema.

Como toda primeira aventura de um personagem de quadrinhos em outra mídia, repete-se a fórmula da história de origem que avança até a batalha contra um poderoso inimigo. Mas o que tinha tudo para ser um "mais do mesmo" é compensado com inteligência e competência.

O foco inicial não é a princesa Diana, a Mulher-Maravilha que todos conhecemos, mas sua mãe, Hipólita (dublada pela atriz Virginia Madsen), a rainha das Amazonas, em sua luta contra Ares, o Deus da Guerra (voz do ator Alfred Molina) - por razões, acima de tudo, bastante pessoais. Após derrotá-lo no campo de batalha e vê-lo aprisionado por Hera (voz de Marg Helgenberger), a Deusa do Casamento e irmã e esposa de Zeus, Hipólita tem concedida a dádiva de reconstruir sua vida e a de seu povo na mística ilha Temiscira - também chamada Ilha Paraíso -, invisível para o "mundo dos homens".

Na nova terra, a rainha das Amazonas recebe dos deuses a benção de uma filha gerada sem ter sido concebida por uma relação homem-mulher. Nasce, então, Diana, treinada na arte do combate como as outras Amazonas e doutrinada pela mãe sobre os perigos representados pelos "homens".

Em dado momento, a filósofa Alexa (Tara Strong) - que não tem a veia guerreira das Amazonas - questiona se não é chegada a hora de promover uma abertura para o exterior. Diana (dublada por Kerri Russell) apóia o comentário e pergunta à mãe se o "mundo dos homens" não poderia ter mudado para melhor depois de tantos séculos, ao que recebe como resposta o conhecimento da prisão de Ares e o que ele representa da natureza ruim dos homens.

Paraíso tem sua paz abalada com o pouso forçado na ilha do coronel Steve Trevor (Nathan Fillion), após um combate aéreo. Inocente quanto ao lugar, a primeira visão do piloto é realmente a do paraíso para qualquer homem. Ainda mais o típico mulherengo que é Trevor. Mas basta ser descoberto para se tornar caça e descobrir o inferno que uma mulher pode ser.

Capturado por Diana, após uma luta equilibrada que deixa margem para interpretações, Trevor é submetido a um interrogatório pela rainha Hipólita e não pode mentir pois está sob o julgo do famoso laço mágico. Daí a soberana decide mandar o coronel de volta ao "mundo dos homens", em uma expedição ao mundo exterior liderado por uma embaixatriz das Amazonas escolhida em um torneio - como se fossem Jogos Olímpicos.

A filha quer participar, mas mamãe não deixa. Diana se rebela, se disfarça como qualquer outra guerreira e mostra seu valor vencendo o torneio. O uniforme da Mulher Maravilha - incluindo a tiara, o laço mágico e os braceletes - nada mais é que a roupa oficial da embaixatriz, com as cores do país para onde está sendo mandada em sinal de respeito e de paz - o que ela vestiria, então, se fosse mandada para uma missão no Brasil ?

Paralelamente, uma traidora se levanta entre as Amazonas e liberta Ares para saciar sua sede de vingança. Diana agora tem uma nova e inesperada missão, para a qual não tem qualquer experiência.

Diana leva o coronel Trevor de carona no jato invisível - não, ela não voa. Uma vez em solo norte-americano, circunstâncias fazem a princesa a conhecer mais o "mundo dos homens". E o que ela vê? Que existe, sim, maldade no coração do homem, mas que é errado reduzir qualquer entendimento apenas pelo que ele tem de mau. Existem tabus culturais e sociais a serem entendidos, ao mesmo tempo que questionados e quebrados. Tanto de um lado, quanto do outro. 
Fonte : http://www.opovo.com.br/colunas/sequencial/