4 de setembro de 2008

A Última Canção de Conan



Poema de Lin Cater, adaptado por Roy Thomas e desenhado por Jess Jodloman. Em versos, de forma bela e comovente, Conan enfrenta o seu último e derradeiro inimigo ... aquele que, cedo ou tarde, todos devem enfrentar, mesmo sabendo que ele jamais poderá ser vencido.



Era árdua e longa a estrada.
E no céu, a lua branca e fria punha pálidos raios na madrugada 
Anunciando o nascer do dia.
Ladrões, prostitutas, reis e guerreiros
magos, patifes, bardos, feiticeiros
caminhavam junto a mim por onde eu ia.
O vento cortava qual lâmina afiada
Á medida que soprava dos mares bravios.
Agitava barracas e árvores da estrada
gemendo nos galhos como espectros sombrios.

No entanto, eu, numa luta renhida
de saques e luxuria,
bebi o vinho da vida
até o fim dos meus brios.

Bravo e selvagem eu vim do Norte 
para as cidades que iam me perder. 
Com ferros e tochas entreguei-me a sorte 
e com sangue venci o que se há de vencer. 
Joguei no diabo e alcancei a vitória, 
esplendor, fama, estonteante glória, 
Sem jamais o sorriso da morte temer.


Inimigos surgiram, para eu derrotar 
e amigos leais em quem me fiei. 
Conquistei coroas para depois desprezar 
e lábios ardentes com luxúria beijei.



Se canções eu cantei com toda a alegria
e vinhos sorvi até a noite virar dia,
então que importa se um dia morrerei ?
O ouro arrebatado, as jóias deslumbrantes... 
tudo o que tinha, em pó foi transformado. 
E da vida vivida em horas delirantes, 
traguei o melhor que ela podia ter me dado. 
Hoje, a cova profunda e a noite vazia, 
O mundo, um crânio mofado que asfixia. 
contudo, me rio dos deuses, amargurado.



Na região maldita por onde ia a estrada 
de terra ressequida, não indicando o fim, 
minha gente seguia alegre e alvoroçada, 
pois o caminho mais fácil não encontraria assim.

Vadio e zombeteiro, com terror à espreita, 
a estrada da vida sorria à minha direita... 
e os abutres da morte zombavam de mim. 
Caminho poeirento, longo de tal sorte... 
Crom, hoje vejo como um homem enlouquece ! 
Sou velho, cansado e a morte se fez forte, 
consumindo minha carne que com os anos esmorece !


Brava e selvagem, era assim minha gente 
que cantava e sorria, cavalgando contente, 
Lutando e matando sem deus e sem prece ! 
Sacerdotes espertos contavam do tesouro 
Com que seu paraíso podia ser comprado. 
E das almas malditas que como um agouro 
gemiam no suplício que lhe foi destinado.


Para o inferno, os sacerdotes com seu ouro e riquezas ! 
Descerei a garganta que leva as profundezas, 
E lá, hei de deixar o diabo destronado. 
Se enfrentei a vida com audácia e sem medo. 
Por que recuar agora, se a morte me sorrir ? 
A vida não passa de um jogo, um brinquedo, 
com o qual, junto à morte, eu só me diverti.


Adeus, meus amigos de horas sombrias... 
rainhas e criadas de pele macias... 
não lamento o que fui em noites vadias, 
nem os passos na estrada que finda os meus dias.. 

AQUI !

Publicado na Espada Selvagem de Conan No 07 pela editora abril em 1985.