6 de maio de 2008

Organização X - 9

Organização X
História Solo: Portal - Recordações do Inferno.

Eu estou correndo, meu corpo está mole, perdi muito sangue... Mas continuo correndo.

Ele está atrás de mim, posso sentir o bafo quente dele nas minhas costas. Ele se aproximou demais.

Mudo de direção, o mais rápido que posso, esperando encontrar uma saída. Mas Alá não parece escutar as minhas preces. É um beco sem saída.

Me viro, dois olhos vermelhos me olham diretamente enquanto uma mão com garras desce em minha direção.

E eu grito. E eu acordo... Suando... Tremendo... Temendo.

Meu nome é Latifa Said, sou marroquina, sou mutante, sou mulçumana.

Quando eu tinha sete anos minha mãe foi morta, apedrejada. Ela era adultera.

Sendo filha única, não... por eu ser mulher, todos da minha aldeia pensaram que eu ia seguir o mesmo caminho de minha mãe. Foi quando comecei a ouvir que o inferno seria a minha última morada.

Eu acreditei nisso, até que Cronos apareceu.

Ela chegou num fim de tarde a minha casa, meu pai a convidou para entrar e ela falou sobre os meus poderes, sobre o mundo que eu nem imaginava, ela falou sobre esperança.

Eu queri ir com ela, mas não podia. Meu pai, como poderia abandonar meu pai?

Helena entendeu, mas mesmo assim passou a noite conosco, contando histórias... Foi a primeira vez, desde a morte de minha mãe, que meu pai sorriu.

Na manhã seguinte encontrei Helena na sala, ela estava lendo uma carta devo ter feito algum barulho, porque ela olhou para mim. “Sinto muito, minha menina.”

Ela me entregou outra carta, aquela que ia mudar minha vida para sempre... Ainda lembro de cada linha dela.

-x-x-x-

Adeus minha flor do deserto...
Nossos destinos se separam aqui... Maktub.
Quero que você viva, aprenda, cresça. Quero que você possa ser tudo aquilo que você nasceu para ser, não aquilo que todos dessa vila dizem que você deverá ser.

E você vai ser grande, minha flor! Você vai cruzar oceanos, viajar nas estrelas, ir ao céu. Você irá falar a língua de outros povos, vai conhecer mundos diferentes, vai se apaixonar por um bom rapaz que fará feliz e que te dará muitos filhos.

Não quero que tenha medo, minha flor.

Mas se tiver o enfrente, mostra sua força e sua sabedoria. E lembre-se que mesmo nos lugares mais escuros a luz pode iluminar nossas almas.

Não se esuqça de onde você veio, lembre-se, isso vai te dar forças para seguir em frente. Pois se vocÊ conseguiu sobreviver no meio dessas pessoas raivosas e arrogantes, você pode fazer qualquer coisa.

Mas o mais importante de tudo, minha flor, lembre-se que eu te amo.

Perdoe seu pai.

Adeus.

-x-x-x-

As lágrimas rolavam pelo meus rosto. Minha mãe tinha acabado de morrer e meu pai estava me abandonando, o que eu tinha feito de errado... “Você não fez nada de errado, minha menina.” Helena falou.

O que devia fazer? Estava sozinha no mundo. “Você ainda pode vir comigo... Na minha casa, terá amigos...” Ela falou estendo a mão, pensei durante dois minutos. Depois me joguei em cima de Helena e apertei com força, e deixei todoas as lágrimas caírem.

-x-x-x-

No começo ermos três...

Isaac era calado... Passava a amior parte do tempo ou olhando o horizonte ou olhando Angie.

Eu era, bem, eu... Se não estva lendo estava cuidando do jardim.

Angie... Sempre foi difícil definir Angie, por isso pego emprestada uma frase de Isaac... Angie é vida.

No primeiro ano que passamos na Ilha Palas era Angie que sempre nos unia, ou para fazermos os deveres juntos ou para corremos por todos os cantos da casa, ou simplemenste para dormimos todos juntos, como irmãos.

Quando chegava a hora de nosso exercícios individuais, ministrados por Helena, Angie sempre dava uma piscadela para gente e dizia boa sorte.

Mas eu seria injusta de não falar nada de Helena. Se Angie era vida, Helena era o coração. Sempre calma e com uma palavra de auxílio, os braços sempre abertos para comemorar vitórias ou para amparar as lágrimas da tristeza. Helena, de uma froma um pouco peculiar, sempre foi nossa mãe.

Mas como eu disse no começo eramos três, no ano seguinte duas outros crianças chegaram.
Primeiro foi Seiya que, com seu bom humor habitual e tentativas de piadas, se tronou o grande companheiro de Angoe nas bricadeiras e travessuras.

Depois Sid, arisca no início, no final acabou mostrando seu coração mole e dócil, apesar de sempre quere bancar a forte e corajosa.

Viramos então uma grande família feliz, estranha as vezes, mas unida. Sim, nós brigamos, gritammos um com os outros. Mas depois sentamnos lado a lado e conversmos assunto muito importantes para a humanidade (como o fato do Jerry sempre impicar com o Tom e no final levar a melhor....)

Helena sempre garantiu que deveríamos ter uma infância normal, apesar dos treinamentos, das lutas, do excesso de estudos. O mais importante, ela sempre foi honeta conosco.

“VocÊs são mutantes... não se enganem, o munfo vai odiar vocês... pessoas vão tentar mata-los...” Ela sempre disse. “Mas não deixem que nenhuma dessas palavras atinja suas almas... Porque vocês, minha crianças, são o futuro” Ela completava com um sorriso doce.

Smpre depois dessas palavras nos reuníamos na sala e apostávamos quem de nós ia ser o primeiro a manifestar os poderes. Angie sempre ganhava por unanimidade... Por isso foi uma surpresa quando Sid disparou um canhçao de luz e explodiu uma árvore durante um pique-pega.

“Droga... É por isso que sempre temos que apostar nos azarões!” Reclamou Seiya no dia.

Depois de Sid foi Seiya, depois Angie, eu e por fim Isaac. E foi depois disso que nosso treinamento se tornou mais rigoroso, Helena não queria erros. Erros podem levar a morte...

Quando meus poderes se manifestaram a primeira vez eu estava esovando os dentes quando um ‘burraco’ surgiu debaixo de mim. Eu caí, não rápido, mas lentamente. Durante a queda eu pude ver vários outros ‘buracos’, diversas possibilidades de destinos e eu cai exatamente naquele que levava a mesa do café da manhã.

Toda coberta de suco, geléia, manteiga, ovos, pão, entre outras coisas, eu olhei para meus amigos. Demorou dois segundos antes de todos se juntarem a mim em cima da mesa, me abraçarem e me darem os parabéns. Meus poderes estavam ativos.

AS uincas duas pessoas para quem eu contei sobre os diversos portais foram Helena e Isaac, por isso quando Helena quis explorar as possbilidades de uma viagem interdimensional eu pedi para que Isaac fose junto.

E até hoje me arrependo disso.

-x-x-x-

O dia estava claro, os outros tinham ido para a escola no continente. Eu, Isaac e Helena ficamos na ilha.

“Feche os olhos Latifa... e concentre-se...”

Estávamos no escritório de Helena, eu estava deitada no sofá de olhos fechados.

“Quero que se concentre em um lugar bem distante daqui...”

A voz de Helena era calma e doce, como sempre.

“Quero que você se lembre de todos aqueles portais... Quero que você os visualize de novo... Está vendo?”

Eu balancei a cabeça de forma afirmativa.

“Ótimo... Agora que dixe sua mente te guiar, para onde ela quer ir?”

Ir? Eu não queria ir a lugar nenhum... Alguns daqueles portais me davam medo. A demora para responder deve ter preocupado Isaac.

“Ela não teve estar pronta ainda Helena... Talvez nunca esteja...”

Talvez eu nunca estivesse... Não sei porque essas frases me lembraram da minha antiga aldeia, das pessoas que me odiavam sem motivo, do que elas falavam: Inferno... Só sei que quando eu abri os olhos senti meu corpo caindo e se chocando contra o chão duro.

“Ai... Onde nós estamos?”

Olhei para o lado e vi Isaac esfregando a cabeça, uma pouco mais a frente estva Helena, seu olhar fixo em algum lugar.

“Descobrimos depois...” Ela falou. “Mas agora temos que correr!” Ela nos segurou pelas mão e nós puxou.

Corríamos, sem saber o destino, apenas corríamos. Eu olhava para os lados e via a terra vermelha, e o calor, parecia que setavamos em um forno.

Quase tropecei quando Helena parou, oivi um riso meloso e ríspido ao mesmo tempo. Depois uma voz grotesca falou, ou gruniu alguma coisa. Quando olhei para frente vi um ser medonho, com pés de felino, corpo de homem, cabeça de cobra e chifres de touro.

Ele continuou a falar enquanto se aproximava lemtamente de nós. Foi quando hele nos soltou, olhou para trás e sorriu. “corram, não se preocupem comigo, apenas corram.”

Eu vi o momento em que a criatura pulou em cima dela, eu queria ficar e ajudar, mas Isaac me puxou.

Estávamos correndo feitos loucos, sem saber para onde íamos.

Uma caverna nos chamou a atenção. Isaac me empurou para dentro.

“Vai para o fundo... Eu vou ficar aqui... esperando Helena...”

“Mas Isaac...”

Ela não esperou a minha resposta, me empurrou a msi fundo e usando os poderes dele criou uma parede na entrada. Do lando de dentro em ouvia o barulho de luta.

“Estou em Hawiah…” Falei para mim.

Mas eu não podia ficar parada... Eu pensei que se talvez eu fosse até o final eu encontraria uma saída, talvez eu pudesse ajudar Isaac e Helena.

Então eu corri e por um momento pensei que minhas preses tinha sido aceitas pois realmente havia uma saída.

Do lado de fora respirei fundo e tentei me orientar. Foi quando eu ouvi.

“Moça bonita...”

Olhei para trás e vi um homem. Ele era alto, tinha olhos verdes e cabelos negros, a pele era tão branca quando o algodão e o sorriso tão belo e forte. Naquele nomento eu agradeci a Alá.

“Me ajuda, meus amigos...”

Ele riu. “Ajudar a que, menina bonita?... A sair daqui?... Não tem como...” Ele falou se aproximando, seu eu perceber ele tirou o véu que cobria os meus cabelos, puxou uma mecha e cheirou. “Você é do meu mundo... Quem te expulsou para cá? Foi a Papisa?”

Papisa? De quem ele estava falando? “Eu não...”

“Aquela bruxa... Ela me baniu para cá depois que eu... Não importa mais, me tornei o senhor desse lugar, tadas as feras me obdecem...”

“Que lugar?...”

“Eu não sei o nome que as bestas dão a ele... Eu chamo, carinhosamente, de inferno...”

Eu sabia, eu estva no inferno... Eu... “Tenho que ir, meu amigos...”

Ele se interpôs no meu caminho. “Ir? Menina bonita... Você apenas chegou... Apenas uma menina... Apenas uma mulher... A quando tempo eu não tenho uma...” Eu me esquivei antes que lê pudesse me abraçar. “Não tem para onde ir, menina bonita, se a Papisa...”

“Eu não sei quem é Papisa!... Mas eu trouxe... Eu também... Eu também tenho como tira-los daqui!!!”

Ele me olhou de forma estranha, ficou alguns segundos em silencio. “Você pode nós tirar daqui?” Ele riu, melevicamente. “Menina bonita, e eu que pensei que você só serveria para ser fodida... Você é minha chave para casa... E para vingança!

Os olhos deles ficaram vermelhos, as mãos se transformaram em garras e o calor que emanava dele era tão grande que eu cheguei a pensar que estava frente a frente com shaytan.

Então eu corri, antes que eu pudesse me afastar muito ele me segurou pelo ombro e me puxou para perto. “A saída, menina, me leve para casa!” Ele falou afundado as garras no meu ombro.

Eu gritei, a dor me fez lembrar das aulas de luta. Me desvicilhei dele e corri. O sabgue escorria pelas minhas costas e frente.

Mas eu corri, meu corpo estava mole, eu estva perdendo muito sangue... Mas continuei correndo.

Ele estava atrás de mim, podia sentir o bafo quente dele nas minhas costas. Ele se aproximava demais.

Mudei de direção, o mais rápido que podia, esperava encontrar uma saída. Mas Alá não escutou as minhas preces. Era um beco sem saída.

Quando me virei, dois olhos vermelhos me olhavamm diretamente enquanto uma mão com garras desceu em minha direção. E então tudo parou.

“LAtifa?” Olhei para trás e vi uma Helena machuca e cansada. “Minha criança, vocês está bem?”

Queria gritar que não, queria explodir e falar que tudo era culpa dela, mas não conseguia. Em vez disso me joguei nos braços dela e chorei, da mesma forma que chorei quando meu pais me abandonou.

“Me perdoa, minha criança... Me perdoa.” Ela falou carinhosamente. “Precisamos ir embora agora... Isaac precisa de ajuda médica...”

Olhei para trás e vi Isaac encostado em uma parede, seu corpo estva todo machucado, mas era a ferida no torso que me preocupava. Ela ia do oso do quadril diteito, atravesando em diagonal, até o ombro esquerdo, parecia profunda e estava sangrrando muito.

“Latifa, você tem que nós levar para casa...” Eu balancei a cabeça negativamente várias vezes enquanto as lágrimas caim pelo meu rosto. “Latifa! Isaac vai morrer se continuarmos aqui!”

“E se eu...” não conseguisse... nos levasse para outro inferno... nós deixasse flutaundo entre portais por toda eternidade.

“Você vai conseguir Latifa.. Sei que vai... Feche os olhos... Se concentre... Imagine o nosso mundo... Está conseguindo vê-lo?”

Confirmei com a cabeça.

“Ótimo... Agora imagine o continente Europeu...”

Falei um ‘tá’ depois de ver o continente na minha mente.

“Agora a Grécia...”

“Feito” Respondi.

“Agora a Ilha Palas...”

As lágrimas voltaram a cair ao lembrar de casa. “Pronto.”

“A mansão...”

Baleicei a cabeça mais uma vez.

“Agora a enfermaria...”

Eu estva vendo todos os equipamentos da enfermaria.

“Se concerte na enfermaria... Com força... Isso, agora nós leve para lá...”

Senti o chão sumir embaixo dos meus pés. “Menina bonita!” A voz dele me fez abrir os olhos e olhara para cima, enquanto o portal fechava pude ver os olhos vermelhos dele pela ultima vez.

“Bom trabalho, Latifa.” Helena falou colocando Isaac na maca. “Ele vai ficar bem... Na próxima vez...”

“NÃO!” Gritei... “Sem próximas vezes...” Olhei com toda raiva que podia para Helena. “Nunca mais... Nunca mais!... Nunca mais irei fazer teletranporte para outras dimensões.”

Vi Helena dar um sorriso de canto de lábio. “Tudo bem, nada de outras dimenssões...”

Respirei fundo e agradeci a Alá por me livrar do Inferno.

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Ilhas Palas – Hoje – 03:49

“Não acha que está muito cedo para atacar a geladeira, LAtifa?”

Portal olha para trás e vê Pesadelo. Quase pelado, pensa ela ao perceber que a única coisa que ele vestia era uma samba-canção. Os olhos dela encontram a cicatriz que vai do osso do quadril direito até o ombro esquerdo.

Pesadelo respira fundo. “Teve pesadelos de novo?”

Ela abre novamente a geladeira e pega o bolo gelado. Enquanto isso Isaac pegua dois prtinhos e duas colheres.

“Eu não culpo você... Estvamos aprendendo a usar nossos poderes... Você se lembra o que acontecia comigo?”

“Isaac... Eu sinto muito...”

Os dois ficam em silencio um tempo e só se ouve o barulho dos talheres.

“Ele se denominava Profano...” Isaac fala.

Portal arregala os olhos e prende a respiração por uma minuto. Ela sabe de quel Pesadelo estva falando.

“Em 1540 a Papisa do Império da Noite o baniu desse mundo... Ele era o Papa deles na época.”

“por que?”

Pesadelo dá com os ombros e volta a comer o doce.

Portal olha para ele pensando se deve ou não fazer a pergunta. “Como vocÊ?... Quando você?...”

Ele dá um meio sorriso. “É o Império da Noite.. Você sabe que eu tenho uma obsessão neles...”

Portal sabia.

Ela se levanta, depois de terminar o doce, ia lavar o prato.

“Deixa que eu lavo... Vai tentar dormir...”

Portal deixa a louça na Pia, se encaminha até Pesadelo e o abraça pelo ombros. “Muito obrigada!”

“Para que ser vem os irmãos... Mesmo sem laços sanguíneos... A gente prometeu...”

Sim prometeram... Quando Isaac se recuperou dos machucados provocados pelas feras Latifa perguntou o porque dele quase morre para salva-la. “É o que irmãos mais velhos fazem” Isaac respondeu sorrindo. E naquele dia prometeram uma ao outro que seriam irmãos para sempre.

“Você é o melhor irmão do mundo!” Portal responde dando um beijo na bochecha dele e indo dormir.

Pesadelo desmancha o sorriso depois de vê-la sair e fica pensativo por alguns minutos, Portal é a única pessoa em que ele pode confiar, principalmente agora que perdeu Natureza.

A raiva o faz jogar prato de sobremesa contra a parede.