1 de abril de 2008

Organização X - 4

Arte : Mosca
Organização X
Arco 1: Admirável Mundo Mutante Novo
Parte 4 de 4 – Era uma vez...

Anos atrás na faculdade de Oxford, Inglaterra, uma moça é puxada com força para trás de um muro. A noite oculta o criminoso que rasga impiedosamente as roupas da jovem.

Ela grita, se debate, implora, chora, reza... Mas nada consegue atingir o bêbado que continua a despi-la e pressioná-la contra o muro. Nesse momento todo tempo parece parar, alias todo o tempo realmente pára. Uma jovem de cabelos tingidos de preto e olhos violetas olha para a cena, enojada.

A que ponto a humanidade chegou, onde um homem tem que forçar uma mulher para conseguir míseros minutos de prazer. Por um minuto ela pensa se não seria melhor se pessoas como ela assumissem o poder, se a tal raça humana não estaria melhor se fosse exterminada.

Ainda pensando nisso ela acha uma pedra pesada no chão, caminha até o sujeito embriagado e levanta a sua ‘arma’ acima da cabeça. Basta deixar cair com toda força na cabeça dele e pronto, estaria tudo acabado.

Você não quer fazer isso! A voz repete inúmeras vezes na cabeça dela. As lagrimas começam brotar nos seus olhos enquanto as lembranças da morte de sua irmã mais velha começam a surgir por trás dos olhos agora fechados.

Você não é igual a eles... A pedra cai de suas mãos e ela se vira, percebendo pela primeira vez o jovem universitário careca que olha preocupado para ela.

Você é igual a mim... Ela cai de joelhos e suas lagrimas agora molham seu rosto por completo. O jovem se aproxima dela e a ampara, deixando-a chorar no seu ombro.

Muito prazer Helena, eu sou Charles.

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“Ela vai magoar você!” Helena grita de dentro do chuveiro, tirando o excesso de tinta que colore o cabelo.

“Pensei que gostasse de Moira...” Charles está no quarto da amiga acabando de se arrumar, em cima da cama encontrasse um buquê de rosas vermelhas. “Vocês duas parecem tão amigas, e afinal foi você que me apresentou a ela...”

É... E não tem um dia que Helena não se arrependa disso. Encostando a cabeça na parede, ela deixa a água cair pelas suas costas enquanto respira fundo impedindo as lágrimas de caírem. Nada melhor nessa vida que ficar apaixonada por seu melhor amigo.

“Helena...?”

“Só um minuto Charles já estou saindo...”

Charles espera pouco antes de ver a amiga sair do banheiro enrolada numa grande toalha felpuda. Ele dá um sorriso ao olhar o cabelo dela. “Sabe, eu prefiro prateado...”

Ela não fala nada só se aproxima e arruma a gravata dele, quando ele vai aprender a fazer uma gravata descente?

“Helena?...” Ela sente o rosto queimar ao perceber o quão próximos estão um do outro e entreabre os lábios quando vê Charles se aproximando cada vez mais.

Tão perto que os dois demoram alguns segundos para perceber o telefone tocando. Se afastando rapidamente do jovem a sua frente, Helena atende ao telefone. Charles consegue sentir as emoções que passam por ela, incerteza, tristeza, angustia, dor, perda.

Deixando-se cair sentada na cama ela só consegue murmurar um estou a caminho antes de desligar o telefone. Charles e aproxima e abraça a amiga.

“Eles morreram Charles... Meus pais...” As lagrimas caem antes de ela abraçar Charles com mais força.

“Está tudo bem... Eu estou aqui...”

Como se essas palavras a trouxessem de volta para a realidade ela se afasta rapidamente de Charles, indo para a porta de seu apartamento e abrindo-a. “Moira está esperando...”

“Helena, eu...”

“Você não vai estar aqui para sempre... Francis...” Ela dá um leve sorriso ao ver a cara que ele faz ao ouvir o nome do meio. “Eu preciso arrumar as malas e pegar um avião para Grécia.”

Charles sai lentamente do apartamento, parando do lado de fora da porta. Os lábios dele se mexem algumas vezes, mas nenhum som é emitido.

Helena se aproxima dele e encosta os seus lábios nos deles, em pouco tempo o beijo se torna profundo e os dois só se separam para buscar oxigênio. Helena sorri enquanto se afasta dos braços do homem que ama. “Adeus, Charles Xavier.” Em seguida bate a porta e vai arrumar suas malas.

-x-x-x-

Israel, Santa para uns, o inferno sobre a Terra para outros. No meio dessa terra ambígua e cheia de tradições Helena Palas desfruta de um bom ‘drink’ no bar do Hotel, enquanto o pianista toca uma canção que a faz lembrar de Oxford e do que ela deixou para trás a alguns anos.

Ela percebe um homem se sentar no balcão e pedir algo para beber e antes dele dizer alguma coisa ela fala. “Não... Não quero conhecer você melhor... Não quero falar do que eu gosto e muito menos quero conversar sobre a minha família”

“Você lê mentes, senhorita?”

“Não... Mas digamos que eu posso ver algumas coisas antes de acontecerem...”

O rapaz dá um sorriso sedutor e olha diretamente nos olhas dela. “E onde vamos estar dentro de 10 minutos?”

Ela se levanta sem tirar os olhos dele. “No seu quarto.” Ela fala caminhando em direção a saída. “Ah sim... Meu nome é Helena Palas...”

“Erik Lehnsherr...” Ele responde seguindo-a.

Helena não reclama da noite que teve, não é normal dela fazer isso, mas quando previu o que ia acontecer se ignorasse todas as regras de etiqueta impostas pela sociedade e se deixasse levar pela simples luxuria... Sorri

Ela sorri ao acordar ao lado do homem, delicadamente passa sua mão pelo tórax dele. Sorri mais ainda ao olhar para a porta do quarto. Rapidamente ela veste a blusa de Erik e abre a porta.

Diante dela um homem pára estático com a mão no ar, a intenção de bater na porta é totalmente esquecida.

“Bom dia...” Ela sorri marotamente “Francis...”

Charles não responde e um silêncio estranho fica entre eles. Silêncio quebrado por Erik que abraça Helena pelas costas e dá bom dia para o amigo.

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Uma enfermeira acabava de fazer o ultimo curativo na mão de Helena quando Charles entra preocupado pela porta da enfermaria. Ele tinha acabado de voltar de um encontro com Gabrielle Haller quando viu a noticia de um atentado a sinagoga, exatamente a qual Erik e Helena tinha ido visitar.

“Helena o que houve?... Onde está Erik?”

Helena espera a enfermeira sair antes de responder. “Erik está bem, os médicos só acharam que ele precisava de alguns outros exames...” Ela respira fundo antes de continuar. “Eu previ o que ia acontecer antes de entrarmos... Nós vimos quem foi Charles... Foi uma única mulher...”

“Me mostre!” Charles fala fazendo uma ligação psíquica entre os dois, enquanto Helena utiliza seu poder de rever o passado para mostra-lo o que aconteceu.

Lilith, foi com esse nome que ela se apresentou quando ficou na frente de todos aqueles que visitavam o lugar. Ela sorriu ao falar que o Deus que eles veneravam lá era falso, fraco e impotente. Em seguida se apresentou como a nova deusa desse mundo e que todos tinham que se ajoelhar diante dela.

Mas a multidão não o fez, ao contrario começaram a se voltar contra ela.

Lilith destruiu as pilastras que seguravam o templo. Helena e Erik usaram seus poderes para ajudar.

Helena congelou o tempo, logo em seguida Erik fez um campo de força para segurar o teto, quando descongelou Helena guiou algumas poucas pessoas para fora da sinagoga. Mas Lilith foi mais rápida e derrubou os dois, fazendo o teto cair, eles só sobreviviram por terem sidos jogados para fora do templo quando Lilith os atacou. Todo o resto morreu. Dos escombros da sinagoga Lilith surgiu sorridente.

Charles rompe a ligação e olha assustado para a amiga. “Eu não sabia que Erik também era um mutante.”

“Não é isso que importa agora, Charles! Essa louca vai continua matando qualquer pessoa que for contra ela... Nós temos que impedi-la!”

“A minha garota está certa Charles...” Erik fala entrando no quarto, visivelmente abatido. “Temos que fazer alguma coisa...”

Charles ainda pensa um pouco antes de responder. “Sim... Temos que fazer algo... Mas não como Charles, Helena ou Erik...” Os outros dois ainda olham com suspeita para ele, mas deixam ele terminar de falar. “Me chamem de Psíquico X...” Ele fala estendendo a mão.

“Magnus...” Erik fala segurando a mão de Charles.

“Senhora do Tempo...” Dessa vez foi Helena colocando a mão dela sobre a dos outros dois. “E nós senhores, somos The Three!”

-x-x-x-

Lilith sobrevoa a cidade. Ela direciona a mão para uma mesquita que explode em seguida. Ela faz o mesmo com uma igreja católica e com uma sinagoga. A polícia tenta detê-la mas é em vão, depois veio o exercito que também falha.

Magnus voa em direção a ela. Utilizando as vigas de metal caídas no chão ele tenta captura-la, mas não consegue.

"Ora ora, se não é o tal de Magnus do The Three” Ela fala com desdém. “Acha que você sozinho vai me deter?" A cabeça de Lilith dói, ela sente que alguém está tentando entrar em sua mente.

"Ele não está sozinho" Psíquico X fala.

"Psíquico X, seu coração anseia pela paz... Você não é um guerreiro, é um coitado" Ela usa um ataque psíquico que derruba-o.

A mulher agora sente seu corpo parar, ela sente sua mente sendo jogada para fora do tempo."Você também, Senhora do Tempo? Acha que vai conseguir parar o tempo a minha volta?!"

Uma energia sai da mão da mulher para atingir Senhora do Tempo que é amparada por Magnus. "Será que vocês aberrações não entendem? Há quando meses vocês três lutam sem parar? Quando tempo acham que ainda vão agüentar?... EU SOU O FUTURO!!!! Serei eu que decidirei quem deve seguir nesse planeta... Eu ocuparei o lugar de Deus e corrigirei os erros dele!!"

"Você não é o futuro, muito menos Deus... É apenas uma cientista louca que alterou o próprio corpo!" Magnus fala se levantado. “E eu prefiro morrer aqui hoje, a viver para sempre ajoelhado aos seus pés!”

Tinha chegado à hora, nós últimos tempo eles passaram cada segundo que tinham articulando um plano contra Lilith, e se esse plano não funcionasse não havia mais nada o que eles poderiam fazer.

A luta recomeça. Os três lutam em total harmonia. Graças a um vinculo psíquico criado por Psíquico X eles estão compartilhando as mesmas emoções, os mesmos sentimentos. O tempo passa, eles não sabem se foram horas, minutos ou segundos, mas sentem que a luta está para terminar.
Magnus consegue paralisar o sangue para o cérebro dela. Ele não sabia que podia fazer isso, foi Psíquico X que chegou a essa conclusão.
Com o cérebro recebendo menos sangue e a vez da Senhora do tempo. Ela congela o tempo de Lilith que não voa, não se mexe, não respira. Seu corpo fica estático no céu.
O golpe final é de Charles, ele invade a mente dela e apaga-a.
A luta termina os três caem exaustos no chão Lilith foi vencida.

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Helena abre os olhos calmamente e percebe que esta protegida nos braços de Erik. O sonho que ela teve na noite passada volta a passar pela sua mente. Era o que ela temia, não foi um sonho foi uma previsão.

Lilith não foi vencida, dentro de dois anos ela vai se recuperar, a derrota mostrou que ela não estava pronta. O corpo dela precisa de melhoras, ela precisa de pessoas lutando com ela... Não!... Pessoas lutando para ela!

Mas Lilith sabe que vão tentar impedi-la. Mutantes, eles vão ser seus principais rivais, precisa acabar com eles antes de mais nada.

Ela vai usar influência, dinheiro e morte para conseguir o que quer. Cinco anos depois de acordar Lilith já terá formado a Fundação e em pouco tempo, essa vai se tornar tão grande e tão poderosa que nenhum governo vai consegui derruba-la.

Erik e Charles vão tentar dete-la... Mas se isso acontecer eles...

Helena abraça Erik com força. Se ela ficar The Three vai crescer, a casa de Charles servirá de base, e os três vão ser professores de vários mutantes.

Ela pode ver e ouvir claramente, ela sabe o nomes deles. Ciclope, Natureza, Feiticeira Escarlate, Mercúrio, Tempestade, Psylock, Piro, Vampira, Estrela Polar, Míssil, Destrutor, Blink, Anjo, Fera, Ave-de-luz, Gambit, Homem-de-gelo, Miragem, Vulcano, Hacker, Sábia, Magia, Lince Negra, Portal, Windson, Cristal, Mímico, Magma, Homem-mutiplo, Escalpo, Karma, Noturno, Ms. Marvel, Lupina, Fortão, Higia... E tantos outros.

Uma grande escola, que iria prepará-los para serem heróis. Um grande equipe dividida em pequenas sub-equipes.

Uma grande família... Sem nem perceber Helena leva a mão ao ventre e sorri. Se esse futuro não fosse ameaçado, se Lilith realmente tivesse sido vencida...

Ela toma uma decisão, paralisando o tempo de toda a cidade, ela arruma as suas malas. Para evitar a vitória de Lilith, The Three deve deixar de existir agora. Para evitar que o mundo mergulhe nas sombras eternas, eles não podem juntos formar os X-men. Para salvar a vida dos dois homens que ela ama, Helena tem que sair da vida deles. Para vencer a Fundação, a Organização X tem existir.

“Adeus Erik, mas cedo ou mais tarde você irá conhecer Magda mesmo” Helena entra no carro e olha pra janela do quarto de Charles. “Adeus, Charles... Eu queria ter coragem de dizer que sempre foi você...”

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Anos se passaram, a Organização X foi formada e a luta dela com a Fundação de Lilith ocorreu pelo submundo.

Helena há muito tempo deixou se ser a Senhora do Tempo. Agora como Cronos ela lidera 8 equipes, espalhadas pelo mundo. Da sua base principal, na Grécia ela joga contra Lilith um jogo de xadrez complexo.

Se ainda fosse somente a Fundação... Mas outros inimigos surgiram ao longo dos anos. As bases fora da Grécia se mostraram fortes e varias vezes auto-suficientes. E os X-Premiers, o orgulho de Cronos, mostraram o porquê de terem sidos escolhidos como elite.

Claro houve perdas, mortes, algumas até estúpidas demais. Lógico que eles já quiseram ajudar as outras super-equipes quando surgiram problemas mundiais, mas ainda não era hora de mexer nessa peça do tabuleiro.

“Helena...” A voz da jovem Chris tira Cronos dos seus pensamentos e lembranças.

“Desculpe, minha criança, você disse algo?”

“Joseph acabou de se comunicar...” Chris fala se aproximando da mesa. “Só faltavam eles então...”

“Então?...” Helena da um sorriso motivador para menina.

Chirs pega um controle e um quadro que se encontra no escritório de Helena se transforma numa tela “Sobre a África do Sul...” A adolescente espera Helena confirmar com a cabeça para continuar. “Hacker disse que vai demorar muito tempo ate eles conseguirem mandar um e-mail... Mas precisamente nunca... Ele acabou com os computadores graças a um vírus maluco que ele inventou e que carinhosamente chama de Idiota... Alem disso Rodrigues Nashion foi levado sobre custodia e proteção ao mesmo tempo... Ave-de-luz disse que ele vai ficar um tempo na base africana... Hacker e Ave-de-luz devem estar chegando a qualquer momento”

Helena balança a cabeça e espera que Chris continue o relatório.

“Austrália, terminou tudo bem. Foram retirados do laboratórios da Bay cerca de 1.000 mutantes, a maioria em péssimo estado de saúde... Como você pode ver a noticia foi matéria de capa nos principais jornais da Austrália, nos outros jornais do mundo que já saíram também... E eu nem falo da Internet e da televisão a CNN e a BBC não param de falar sobre isso... Ta rolando um boato das ações da bay caírem muito depois disso... e a lei que eles iam fazer lá ta meio que suspensa”

“Muito bom... E quando Pesadelo e Portal voltam?”

“Já estão a caminho, eles dormiram lá e festejaram junto com a equipe... Parece que Energia voltou para a equipe, mas Pesadelo não confirmou nada...”

“E no Brasil?”

“Como eu disse, Joseph acabou de se comunicar, pela segunda vez pra falar a verdade... O resultado da pesquisa foi entregue ao governo brasileiro... Nossa imagine um país daquele tamanho cheio de mutantes!!!... Mas bem Maresia levou a família Soares para a base inglesa... Ah! Joseph falou também que eles tiveram uns probleminhas com uns Droids, mas fora isso foi ate tranqüilo e Natureza ganhou alguma corrida ou aposta ou os dois. Joey não quis comentar muito sobre isso não, deixava ele irritado... Eles devem dormir lá e voltar pela manhã... Manhã de lá... Eu não faço idéia do fuso horario...”

“Tudo bem Chris, pode descansar, você não saiu de perto do comunicador. Vai dormir que quando você acordar tem treinamento...”

Chris dá um sorriso cansado e vai para o seu quarto deixando Cronos olhando a janela.

Com um sorriso nos lábios e os olhos fechado ela sussurra. “Xeque”

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Sentada no seu trono, com seus mais três fieis súditos Lilith tenta entender o que aconteceu. Passando a mão pela mascara que cobre o rosto, desfigurado depois de varias modificações ao longo desses anos, ela respira fundo.

“O trabalho de vocês três é exatamente evitar esse tipo coisa... Fechem tudo, matem todos que sabem a respeito, isso inclui todos os funcionários da Fundação, tirando aqueles que trabalhem diretamente para mim!... Nós temos que sumir por uns tempos...”

Duas das figuras ajoelhadas se levantam e saem da sala, mas uma delas continua curvada diante daquela que considera uma deusa.

“O que foi, Íris?”

“Perdoe-me, minha divindade. Só queria dizer que o arquivo está a salvo, tirei antes do vírus se espalhar pelo computador.”

“Pesadelo foi atrás dele?”

“Sim, minha senhora...”

“Excelente... Agora vá e faço o que eu ordenei.” Ao perceber o olhar confuso que Íris possui ela responde. “Quando numa partida de xadrez não há mais nada pra evitar o xeque-mate, nos restam duas alternativas. Aceitar a derrota e pedir empate, ou virar o tabuleiro e acabar com tudo... Nós vamos virar o tabuleiro Íris, mas antes temos que limpa-lo.”


CONTINUA....