15 de abril de 2008

Organização X - 6

Arte : Mosca

Organização X
Arco 2: Magia Arcaica
Parte 2 de 4: Medeia


A água quente cai sobre os ombros dele, fazendo os músculos cansados relaxarem. A fina camada de vapor que envolve o banheiro parece trazer um algo místico... Um algo místico?

Definitivamente ele está vendo filmes demais... Mas voltando o banho...

Ele põe a cabeça em baixo do chuveiro e deixa a água molhar todo o seu corpo, começando pelos seus cabelos brancos, passando por seu rosto másculo, tocando suavemente seus ombros, deslizando por seu abdome esculpido, lambendo sua masculinidade, lavando suas coxas e terminado em seus pés.

Ele encosta a cabeça no mármore a sua frente, fazendo a água voltar a banhar somente seus ombros. Ele respira fundo deixando-se relaxar, o som da água caindo é calmante, mas não é o único que ele escuta.

“Jasão...” Uma voz sussurra.

“Quem...”

“Jasão...” A voz feminina repete.

“Se for alguma brincadeira sua Se...” Mas ele não termina a frase.

Joseph sente uma mão passeando pelo seu peitoral, descendo até os seus mamilos e acariciando-os. “Mas... o ... que...?” Ele se surpreende quando sua própria voz começa a falhar...

“Eu estou aqui... Eu voltei para voce...” A vapor da água toma a forma de uma bela mulher, que envolve o pescoço do X-Premier e cola seus lábios com os dele.

Demora alguns segundo para ele reagir... O beijo é real, ele consegue sentir a língua que entra em sua boca, aproveitando a supressa gerada. Em seguida a ‘presença’ começa a beijar o queixo dele, descendo sedutoramente para o pescoço. Beijando suavemente o pomo de adão, para depois deslizar a língua até a junção do ombro com o pescoço, onde começa aplicar pequenas mordidas.

“Quem...?”

Ela ri contra o pescoço dele. “Aquela que sempre te amou...” Ela fala, já distribuindo beijos pelos músculos do peito. Se dirigindo até o mamilo ela lambe e sorri novamente. “Aquela a quem sempre você vai amar...” E morde-o.

Joseph suprime um grito. Aquilo não pode ser real. Não deve ser real. “Não...”

“Por que está tentando lutar contra mim?...” Ela fala agora descendo com sua língua pelo abdômen, sentindo cada músculo pular com a sua passagem. “Não pode... Não quer...”

Chegando no umbigo ela o circunda, com sua língua, lenta e suavemente, para depois desliza-la para dentro do mesmo.

“Ah...” Dessa vez nenhuma palavra de sentindo sai da boca do mutante.

“Eu te quero... E você...” Ela fala envolvendo o membro dele com sua mão. “Definitivamente me quer...”

Lentamente, com sua mão, ela começa movimentos de subida e descida. Seus lábios beijam com desejo a virilha.

“Não...” Ele tenta voltar a realidade mais uma vez, mas o seu corpo não deixa... O prazer é imenso. E aumenta ainda mais quando ele sente a boca dela substituir a mão.

Ela continua com movimentos ritmados e cada vez mais rápidos. Falta muito pouco... só mais um pouco e ela vai voltar a sentir o sabor dele, e ele vai voltar a ser dela, e só dela.

Mas um pouco... só mais um pouco... Só mais...

“JOSEPH!” O barulho da porta sendo arrebentada quebra o feitiço e o X-Premier cai de joelhos.

Sua respiração é funda, seu corpo treme, ele não consegue raciocinar direito. Tudo que ele sabe é que sua cabeça é amparada no colo de alguém e que uma mão doce passeia por seus cabelos molhados.

Demora alguns segundos para ele perceber a água caindo no corpo dele e que está pelado no banheiro com uma pessoa fazendo carinho no cabelo dele.

“Você está bem, galego?...”

Ele olha para cima, mas nem precisava, pela voz ele já sabia quem era... “Angie...” Ele deixa a cabeça cair novamente, antes de usar seus poderes para fechar o chuveiro. “Eu to pelado, sabia?...” Ele fala se sentando sobre os joelhos e cobrindo as partes.

Ela dá um sorriso suave e joga a tolha para ele. “Nada que eu não tenha visto antes...”

Joseph se levanta ainda tonto e coloca a toalha em volta da cintura. “Por que você entrou aqui?”

“Eu chamei você várias vezes... Pensei que tinha acontecido alguma coisa...” Ela fala seguindo ele para fora do banheiro da suíte e observando de longe ele pegar uma roupa para dormi, ou seja, uma samba-canção. “O que aconteceu?”

“Quando?...”

“Galego...?”

Mas ele não fala, ele nunca fala. Na mente dele começa a haver duvidas se tudo que aconteceu com ele a pouco tempo foi mentira, loucura... Talvez perder a sanidade seja efeito colateral de ser um clone. “Eu vou dormir...”

“Chris está esperando para ver o DVD... Ela disse que nada mais justo do que...”

“To com sono...” Ele fala já deitando na cama. “Amanhã eu... Deixa para amanhã...”

Angie deixa, ela apena fecha a porta atrás si quando sai do quarto.

-x-x-x-

Piranha... Maldita... Vagabunda!...

Como ela se atreveu atrapalhar?! Faltava tão pouco para ele... Então finalmente ele saberia que ele sentiu a falta dela... Como ela sentiu a dele...

Medeia pega a primeira coisa que vem a mão e joga contra o espelho, fazendo-o ruir em milhões de pedacinhos. Fazendo toda a casa de Toula acordar.

"Toula!" O pai da jovem aparece preocupada na porta do quarto dela. "Aconteceu alguma coisa querida?... O que houve?..." Ele fala abraçando a 'filha'. "Está tudo bem agora querida, seu patér está aqui..."

Medeia sorri, ela ainda está fraca... Mas nada melhor quem um bom sacrifício para trazer sua força de volta... Principalmente se ela matar uma vila inteira em seu próprio nome...

-x-x-x-

“PREMIERS! MINHA SALA AGORA!”

A voz de Cronos ecoa por todos aos quartos. Nem amanheceu o dia e algo muito ruim aconteceu.

Latifa, por motivos óbvios, é a primeira a chegar, seguida de Sid, Chris, Seiya, Angie, Joseph e Isaac.

Helena está olhando fixamente a janela, com um olhar de tristeza. Quando ela começa a falar a reação de cada um dos X-Premiers é diferente, mas todos concordam com uma coisa... Aquilo não podia ser verdade.

-x-x-x-

“Sangue em todo lugar...” A voz de Cronos ressoa na cabeça de Portal quando ela vê o sangue correr lentamente pelas ruas antigas.

“Um sacrifício...” Pesadelo lembra do que Cronos falou, ao olhar o altar construído de madeira.

“Eles tentaram fugir...” Ave-de-luz percebe o que Cronos quis disser ao ver alguns dos cadáveres amarrados e com sinais de luta.

“Pouca coisa restou para lembrar que ali tinha um povo...” Cronos estava certa, pelo menos é o que Hacker pensa ao ver as casas queimadas.

“Todos, absolutamente todos...” Chris chora ao ver o corpo de crianças mais jovens do que ela.

“Inocentes que apenas foram usados...” Os olhos de Cronos estavam cheios de lágrimas é isso que Joseph lembra quando percebe que símbolos antigos, alguns reconhece, são usados para a magia negra.

“Ela não devia ter voltado...” A voz de Cronos estava triste e Natureza entende o porquê que ao olhar para o símbolo cravado no altar...

“Medeia...” Ela fala quando todos se aproximam dela.

-x-x-x-

O sangue está cobrindo todo o seu corpo, que aos pouco parece absorver cada gota pelos poros.

Seu poder está voltando, nem precisa de espelho para ver os jovens que chegaram ao lugar do sacrifício. Apenas fecha os olhos.

Seu poder... Ainda falta... Precisa de alguém forte para completar as suas forças. Ela ri quando começa a declamar a canção dos cadáveres.

-x-x-x-

“Medeia?...” Chris pergunta.

Natureza não responde, apenas continua a olhar fixamente para o símbolo a sua frente.

Hacker para e pensa um pouco antes de responder. “Não foi aquela que matou os próprios filhos por vingança?”

Todos parecem concordar, mas... “Não... Eurípides recebeu suborno do governante de Corinto para narrar a historia assim... Todos os outros narradores e mitólogos concordam que os moradores de Corinto, a mesma cidade que chegou a adorá-la como deusa, matou os filhos dela. E Jasão, o marido que a abandonou não estava lá pra proteger os filhos...”

“Jasão?...” Joseph pergunta lembrado da voz que sussurrou para ele o mesmo nome a noite passada... “Quem...”

Mas todas as perguntas ficam suspensas quando um a um os mortos da vila começam a se levantar.

Sem esperar uma ordem os X-Premiers se separam e partem para a luta.

Apesar de não ter seus poderes, Chris luta com agilidade e eficiência, derrubando vários mortos de uma vez. Mas a alegria da adolescente dura pouco quando ela percebe que todos quem ela derrubou se levantam novamente para lutar. “Como se mata algo morto?”

Ave-se luz não tem esse problema. Apenas desintegra aqueles que tentam chegar perto dela usando seus canhões de luz. “Matando, oras...” Ela fala sem perceber um grupo de mortos se aproximar dela pelas costas e derruba-la no chão. Por alguns instantes parece que a mutante perderia essa batalha, mas logo se vê uma coluna de luz chegar aos céus, levando consigo milhares de corpos.

Portal se desvia usando seguidos portais de teletransporte. Ela sempre aprendeu que o corpo humano deve ser bem cuidado após a morte, deve ser purificado e enterrado corretamente, ela não pode simplesmente atacar ou destruir essas... essas... ‘pessoas’ assim. “Alá me diga o que fazer...” Mas antes que um dos mortos a atinja, um tornado se forma.

Natureza não está afim de brincadeiras. Ela está muito chateada... Ela adorava esse lugar, as pessoas, tudo era perfeito... Essa vila não precisava dessa destruição... Essas pessoas não deveriam morrer assim. Então ela apenas comanda o ar, o vento nada mais é que o ar em movimento, e um tornado são cones de ventos rotativos. Quando todos os cadáveres são pegos, uma coluna de fogo se junta ao tornado. Quando os dois acabam de existir, apenas as cinzas das vitimas caem suavemente na terra. “Do pó ao pó...”

As quatro meninas ficam em silencio observando as cinzas caíram.

“Isso é cinza de morto?...” Pergunta Portal.

“É...” Natureza responde.

“E ela esta caindo em cima de nós?...” Dessa vez foi Ave-de-luz.

“Isso...”

“ECA!” Fala Chris.

“Tirou as palavras de minha boca...” Portal sorri

“Um bom banho resolve isso...” Ri Ave-de-luz.

“Ahn, meninas...” Chirs fala sem jeito. “Onde estão os rapazes?”

Intuitivamente as quatro olham para todos os lados a procura dos amigos.

“Medeia...” Natureza conclui.

(Continua)