30 de abril de 2007

Metade

METADE

Que a força do medo que tenho, não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio
Que a música que eu ouço ao longe seja linda e leve tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada ,mesmo que distante


Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas nem repetidas com fervor
apenas respeitadas , como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento
Porque metade de mim é o que ouço, mas a outra metade é o que calo
Que esta minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corroí por dentro ,seja um dia recompensada

Porque metade de mim é o que penso e a outra metade é um vulcão
Que o medo da solidão se afaste
Que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em mim um doce sorriso que eu me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, e a outra metade eu não sei
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito
E que teu silencio me fale cada vez mais

Porque metade de mim é abrigo ,mas a outra metade é cansaço
Que a arte nos aponte uma resposta ,mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar, porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer
Por que metade de mim é a platéia e outra metade é a canção
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor e a outra metade ...também

Oswaldo Montenegro